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A mostrar mensagens com a etiqueta morte

INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

PERDER UM FILHO

A dor de perder um filho deve ser enorme e avassaladora e não é algo  que vai passando com o tempo, digo isso porque eu tinha três irmãos e o mais velho, o Carlos, morreu novo. Eu sei, e os meus irmãos também, que a minha mãe nunca deixou de pensar e de falar dele. Nós brincávamos com ela e dizíamos que gostava mais dele do que de nós, mas era a dor profunda e saudade que a fazia recordá-lo. O meu pai nunca falava, mas acredito que sentisse à sua maneira. O meu tio João morreu novo, com 19 anos, o meu avô não gostava que ele jogasse futebol e, no dia que o pai o foi ver a jogar, morreu em campo, com uma bolada no peito, isso abalou os meus avós para sempre. O filho dos meus primos. Tenho amigos que sofrem a mesma dor de terem perdido um filho. Nem consigo imaginar essa dor. A morte só dói por aqueles que amamos, mas a dor dos outros só nos toca quando já a vivenciamos e sabemos o que dói, nos outros é medo e não dor o que sentem, medo que lhes possa acontecer o mesmo. A verdade é q...

SENTIR DE PERTO A COVID-19

O telemóvel toca uma e outra vez. Acordamos em sobressalto, e enquanto olho o mostrador do relógio e percebo que são 4h30 da manhã, o meu marido atende o amigo que nos liga, e que só pode ser por uma urgência, pois nunca o faria se assim não fosse. Apercebo-me de frases entrecortadas por soluços e, ao meu lado, o meu marido, depois de uma exclamação inicial de incredulidade, fica em silêncio, enquanto lhe correm lágrimas pelo rosto. Quero que me diga o que passa, mas ao mesmo tempo receio confirmar o que penso ter percebido. Infelizmente não há que duvidar. Aconteceu mesmo, e aquele foi um telefonema que não queríamos receber… Uma das nossas grandes amigas morreu, e morreu de forma repentina, sem um sinal, sem um qualquer aviso prévio. Partiu e nunca mais veremos os seus olhinhos brilhantes de alegria sempre que nos encontrávamos, nem ouviremos as suas gargalhadas contagiantes, de uma inocência sem par. Viremos a saber mais tarde que, quer ela, quer os seus pais, nossos irmãos de coraç...

SAUDADE

Às vezes vemos ou ouvimos pessoas já com uma certa idade a falar de seus pais falecidos há bastante tempo e falam de uma maneira como se estivessem estado com eles há relativamente pouco tempo. E é verdade. Seria suposto que, com o decorrer dos anos, a saudade fosse diminuindo. A nossa dor fosse atenuando. E o esquecimento surgindo. Mas não. A minha mãe faleceu há quarenta anos e o meu pai há doze. E eu, já sexagenária, sinto como se ainda estivesse jovem com eles ao meu lado. Tudo passa diante dos meus olhos como se fosse actual. Consigo reviver cada situação com eles ao pormenor. Quando tenho algum problema, quando tomo uma decisão, quando fico indecisa face a qualquer imprevisto, penso sempre como é que eles me iriam ajudar.  E quando recordo a nossa vida em comum, nós os três - sou filha única - sempre juntos para todo o lado. Sempre em sintonia quanto a uma simples compra, a uma simples saída em passeio. Passeamos muito. Todos os fins de semana, umas vezes ao sábado outras ao ...

O SOFRIMENTO DA PERDA

Quem nunca?  Quem nunca (infelizmente) passou por um sofrimento atroz de uma perda? Quando falo em perda, seja de algo demasiado preciso porque suporta um conjunto de memórias, seja por uma pessoa ou por um animal? Perda… Morte… Sofrimento… Sentimento de impotência… Sentimento de perda… Tristeza profunda… Quando perdemos alguém, familiar, amigo, colega de trabalho, dizemos sempre que não sabemos como vamos seguir em frente e viver do mesmo modo depois desta perda. A morte, em termos científicos, é tão somente o desligar do corpo, da matéria, do conjunto de células, órgãos e aparelhos. Mas seremos somente isto? Não. Somos alegrias, tristezas, percursos de vida, trabalhos, personalidades, “alma”… Em cada religião, a morte é encarada de modo diferente. Tendemos a crer que a vida surge após a morte. A vida do que chamamos alma ou espírito. Mas como é que isto acontece? Quantos de nós já ouvimos dizer: “és tal e qual a pessoa X!” Seremos nós os substitutos dos que já morreram? Seremos n...

EUTANÁSIA

No passado dia 20 de Fevereiro,  foram aprovados na Assembleia da República cinco projetos de lei em que a eutanásia é despenalizada. O que estes projetos pretendem é não penalizar os profissionais de saúde que participem na morte medicamente assistida de alguém que solicite, mediante certas condições, a sua própria morte. Eu sou um doente oncológico e, portanto, sinto-me como sendo alguém que pode  desejar, mais ano menos ano, morrer por não conseguir suportar a dor física ou outra qualquer dor que a doença me aporte. Sim, eu sou um interessado direto na aprovação destes projetos. Não compreendo todos aqueles que, sendo saudáveis ou jovens, se opuseram à sua aprovação. Não eram interessados diretos. No meio desta magna questão intriga-me a posição de algumas instituições. Em primeiro lugar a posição da igreja católica. Sei que as outras religiões professam o mesmo dogma, mas como sou católico vou-me debruçar sobre a minha igreja. Quando a vida humana foi consider...

A INEVITABILIDADE (CONCLUSÃO)

Com tanto tempo de dor e de preparação para a sua morte, parece macabro mas já tínhamos decidido que a queríamos bonita no dia do seu funeral (roupa com cor) já que ela gostava de se “produzir” e tínhamos ainda decidido aquela Igreja em que ela gostaria de permanecer antes de nos deixar fisicamente. Tudo se concretizou e no dia 5 de Janeiro,  finalmente descansou em paz. Eu tive manifestações de amor e carinho, não esperadas. Na véspera do funeral, deslocaram-se do Porto colegas para me confortar e para me fazerem sentir, o quanto estavam comigo. Foi muito marcante perceber o sacrifício dos colegas. Fazerem numa tarde e noite cerca de 700Kms, em homenagem à minha mamã. No dia seguinte (funeral) tinha pedido ao responsável da agência funerária que no fim da missa, gostaria de me despedir da minha mamã, apenas eu e a minha irmã. Assim foi por uns instantes mas,  a minha mana não aguentou e saiu da capela. Eu continuei. Falei com ela, deixei-a partir em paz e quando le...

A INEVITABILIDADE

À hora a que me encontro a escrever este post, o Outono, está a mostrar-se… As folhas invadem o chão, as árvores começam a despedir-se e algumas das folhas, estão já com cor diferente da habitual. Que linda é esta estação do ano. Hoje o dia está muito cinzento. Convida à reflexão, convida a não sair de casa, convida a pensar. Talvez por estarem reunidas estas circunstâncias, veio à minha mente, um determinado momento que para mim foi extremamente doloroso e marcante e que passados quase sete anos, decido partilhar: - Ano de 2012 finda muito difícil. A minha mamã está numa fase terminal. Os meus anos são passados em casa da minha filha e o brinde é feito com uma oração. Rezamos a oração que o Senhor nos ensinou “Pai Nosso, que estais no Céu…”. Cada uma das palavras desta tão bela oração, pareciam estar a “ecoar” como nunca. Foi muito emotivo. Muita dor estava a pairar no ar e, eu não conseguia esconder o que sentia. Afinal a minha mamã estava a despedir-se da vida terrena da ...