Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta imaginação

INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

“JOURNALING” E POR AÍ FORA…

 Agora é isto que está a dar. Até há bem pouco tempo era o “Mindfullness”. Actualmente parece que estão a apostar no “Journaling”. Pegar num bloco e numa caneta e escrever o que lhe vier à cabeça, nem que seja começar por dizer: "Não sei o que hei-de escrever". Como quando se faz um diário, sem que seja necessariamente um diário. E não é que é precisamente isto que eu costumo fazer quando escrevo os meus textos? De repente vem qualquer assunto à minha cabeça dizer-me: "Desenvolve, desenvolve." E a minha imaginação começa a levar-me por aí fora. Concordo que ajuda. Portanto espero que mais gente adira a esta sugestão porque possivelmente vão deixar de ser tão nervosos, ansiosos, egoístas, mal-educados e por aí fora. Descarreguem no papel as vossas dúvidas, angústias, medos, ressentimentos e por aí fora. Quisera eu ter um vocabulário vasto e num ápice quiçá eu escreveria um livro. De facto, acho que é libertador escrever e deixar a imaginação ir por aí fora. É assim q...

OS BANCOS DAS AVENIDAS

Algures em Novembro de 1990 Sentada num banco da avenida, a velhinha abria com custo aqueles olhos já semicerrados, já cansados de tantas anos a olhar. Olhou durante toda a sua vida e nada viu. Passaram-lhe diante dos olhos, por vezes, coisas que a deixavam deslumbrada, mas só durante uma curta passagem. Depois, depois terminava... Agora, ali no banco, sentadinha ao sol, olhava, olhava... "Que faz aí sentada, velhinha abandonada?" perguntou-lhe alguém. Sem olhar, ela respondeu: "Asso no aço do meu fogareiro, lembranças assadas e já ressequidas, meu senhor." Ao responder, olhou-o e reconheceu-o. Foi há tantos anos, ainda as lembranças não eram lembranças. Foi na juventude. Cruzaram-se. Ah! que anos loucos. Depois ele desapareceu, seguiu o seu rumo e ela seguiu o dela. Tantas coisas aconteceram entretanto. E agora estavam ali os dois, velhos, sem nada mais poderem fazer a não ser recordar... Isto não passou de imaginação da velhinha. Ele não passou, nada lhe perguntou...