Avançar para o conteúdo principal

INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

A INEVITABILIDADE


À hora a que me encontro a escrever este post, o Outono, está a mostrar-se…
As folhas invadem o chão, as árvores começam a despedir-se e algumas das folhas, estão já com cor diferente da habitual. Que linda é esta estação do ano.
Hoje o dia está muito cinzento. Convida à reflexão, convida a não sair de casa, convida a pensar. Talvez por estarem reunidas estas circunstâncias, veio à minha mente, um determinado momento que para mim foi extremamente doloroso e marcante e que passados quase sete anos, decido partilhar:
- Ano de 2012 finda muito difícil. A minha mamã está numa fase terminal. Os meus anos são passados em casa da minha filha e o brinde é feito com uma oração. Rezamos a oração que o Senhor nos ensinou “Pai Nosso, que estais no Céu…”. Cada uma das palavras desta tão bela oração, pareciam estar a “ecoar” como nunca. Foi muito emotivo. Muita dor estava a pairar no ar e, eu não conseguia esconder o que sentia. Afinal a minha mamã estava a despedir-se da vida terrena da pior maneira. Como era possível que Deus desse um fim daqueles à minha mamã?
No dia 3 de Janeiro de 2013, o meu dia começou como habitualmente, cheio de incerteza e ainda com um facto que me estava a deixar muito angustiada: A minha mamã tinha-me pedido que não a deixasse levar para nenhum hospital. Queria morrer em casa, com o amor das pessoas à volta dela. No dia anterior,  à tarde, foi-me transmitido que era absolutamente necessário levá-la ao hospital. Acedi. A médica dela transmite que é fundamental que fique internada um a dois dias para se hidratar um pouco e depois voltar para casa, já que o quadro clínico era gravíssimo. Ficou internada, embora muito contrariada. Faleceu poucas horas depois!!!
Eu de nada sabia. A minha afilhada (pessoa que sempre acompanhou a minha mamã em Lisboa), informou que iria à tarde, ao hospital, na hora da visita,  e que, falaríamos ao final do dia. Passei a manhã no meu habitual emprego e à tarde fui dar formação para uma empresa em Matosinhos. Naquele dia, não sei bem porquê, nem intervalo quisemos fazer. Terminamos a sessão às 18 horas. Preparo-me para sair. Abro a porta da sala onde me encontrava e vejo a minha filha!!!  Meu Deus, como era possível ela estar ali? Ela que nem sabia em que cliente eu iria estar a dar formação?
Só podia ter acontecido o pior. A Mamã tinha deixado a vida de sofrimento e tinha partido!!! Fiquei sem chão. Fiquei zangada comigo mesmo por ter deixado que a internassem, apesar dos pedidos que me fez. Porquê? Porquê? São estas as situações que nos vão acompanhar por muito tempo.
As pessoas tentavam consolar-me e dizer-me que teria sido melhor assim, caso contrário o sofrimento ainda teria sido bem pior. Não sei. Apenas Deus tem essa explicação.
Começo a funcionar que nem um autómato. Trato de tudo, ligo para quem é imprescindível ligar. Ouço palavras de conforto que naquele momento pouco ou nada me diziam. Quero ir buscar o corpo da minha mamã ao Hospital em Lisboa. Quero fazer-lhe um funeral digno e deixá-la “partir” em paz.
Continua…

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A ARTE, A BELEZA E A GRATIDÃO

  Sou frequentadora assídua da Confeitaria Paulista na Maia, onde a D. Elvira e o Sr. Jorge Mendes (proprietários), fazem questão de nos receber de “braços abertos.” Tomo o meu café e pão com manteiga neste maravilhoso espaço. É um local muito familiar. Um espaço onde nos sentimos muito bem!!!  Somos bem recebidos; Bem tratados; Bem-vindos!!! Sentimo-nos em casa. A D. Elvira faz questão de nos fazer sentir únicos. Há uns dias, tive oportunidade de ver uma autêntica obra de arte saída das mãos do proprietário da Confeitaria Paulista. Trata-se da peça cuja fotografia está a ilustrar esta publicação. Ao ter acesso ao dito quadro, acreditem, que senti ARTE, que senti BELEZA e depois de saber a história que o envolve, senti que ali, existia GRATIDÃO.  Ora o Sr. Jorge Mendes, decidiu pôr mãos à obra e fazer este maravilhoso trabalho em pão. Sim, trata-se de pão e não outro material qualquer. Explicou-me as múltiplas e morosas voltas que este trabalho dá, até chegar ao resultado...

A LOUCURA DO MUNDO

  Tinha decidido que hoje escreveria de novo sobre a minha viagem ao Japão, e que vos contaria algumas peripécias dignas de registo humorístico, daquelas que sempre me acontecem e me divertem ao ponto de querer partilhar com outros, e porque me faz feliz. Faz-me feliz fazer aparecer um sorriso no rosto de quem lê os meus textos, um sorriso que muitas vezes anda escondido e tarda em aparecer. No entanto, nem sempre isso é possível, e hoje não pode ser assim. Hoje tenho de partilhar convosco a minha tristeza, a minha revolta, a minha frustração. Desculpem-me mas terá de ser assim. Logo pela manhã, como habitualmente, abri o rádio para me atualizar acerca do que se passa no nosso país e para além dele, e o que fui ouvindo fez-me decidir que não concluiria o meu texto nos termos em que tinha pensado. Não tinha esse direito perante o que estava a ouvir. Se o fizesse era como se também estivesse a assobiar para o lado perante o horror que me descreviam. Apesar de ser uma peça insignifica...

OLHAR DE FORA PARA DENTRO

Caro leitor,  Pode efetivamente soar estranho quando se diz olha de fora para dentro, mas é exatamente por isso que vou abordar esta visão.  Todos nós olhamos o mundo de dentro para fora com os nossos valores e crenças e preconceitos.  Vim de férias para um sítio onde já fui muito feliz tanto na infância como na minha adolescência. Nada está como era. Nada. Nem as pessoas nem os hábitos nem os sítios.  E obrigou-me a olhar de fora para dentro. E eu como estou? Como mudei? Que dores trago? Que felicidades ganhei ao longo dos anos? Quais as coisas realmente importantes com as quais me devo preocupar?  Ter a capacidade de fazer e melhorar este processo permite que consigamos olhar melhor. Perceber melhor. Sentir melhor.  E por aí? Vamos olhar de fora para dentro e tentar colocarmo-nos no lugar do outro?  Mjsoares