Não resisto a escrever sobre o natal, porque a cada dia que passa me apercebo do quanto era diferente o meu natal, num tempo em que tudo para mim era magia e felicidade, num tempo em que me bastava olhar o meu pai e a minha mãe para me sentir a pessoa (criança) mais rica e mais feliz do mundo. Éramos uma família simples, de uma freguesia rural, daquelas em que a mãe cuidava das lides domésticas, e o pai, nestes dias, regressava a casa tarde, pois aproveitava para vender um pouco mais e, por isso, fechava a “mercearia” de que era proprietário, na cidade, bastante mais tarde do que o habitual. Na noite de natal, o pai trazia nozes, figos e deliciosos chocolates Regina, em forma de coração e de guarda-chuva. De os lembrar, quase salivo. Não havia televisão, e música só a que o Rádio Club de Angra emitia, à qual acho que ninguém prestava grande atenção. Não havia presentes embrulhados pelas mãos das meninas das lojas, de forma impessoal. Não havia muitas iguarias a encher a mesa...
O que já é hábito não causa surpresa... Curioso??