Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta lembranças

INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

MEMÓRIAS E UM NATAL FELIZ

  Ao remexer numa caixa onde guardo fotografias mais antigas, salta-me à vista uma que já não via há muito tempo. Olho-a e sinto um misto de emoções. Quem lá está? Eu, uma adolescente com uns 11 ou 12 anos, os meus pais, a minha irmã Ilda e o marido, o Pedro, o meu irmão André e a mulher, a Leontina, e os meus sobrinhos, filhos da Ilda e do André. De entre eles, as mais velhas praticamente com a mesma idade que eu, e todos os outros mais novinhos. Somos ao todo 7 crianças. Estamos felizes. Percebe-se pelos sorrisos inocentes e francos que deixamos transparecer. É natal! À direita na foto, vê-se a lareira da nossa casa, onde sobressai o presépio, elaborado pelas mãos hábeis e meigas da minha querida mãe. Os adultos, de pé à volta da mesa, brindam, provavelmente à saúde de todos e à alegria de estarmos juntos. Em falta o meu irmão Carlos Alberto, que cedo emigrou para o Canadá. Apesar da distância física, ele e a Encarnação, sua mulher, são sempre referidos, nestas ocasiões, pelo meu...

OS BANCOS DAS AVENIDAS

Algures em Novembro de 1990 Sentada num banco da avenida, a velhinha abria com custo aqueles olhos já semicerrados, já cansados de tantas anos a olhar. Olhou durante toda a sua vida e nada viu. Passaram-lhe diante dos olhos, por vezes, coisas que a deixavam deslumbrada, mas só durante uma curta passagem. Depois, depois terminava... Agora, ali no banco, sentadinha ao sol, olhava, olhava... "Que faz aí sentada, velhinha abandonada?" perguntou-lhe alguém. Sem olhar, ela respondeu: "Asso no aço do meu fogareiro, lembranças assadas e já ressequidas, meu senhor." Ao responder, olhou-o e reconheceu-o. Foi há tantos anos, ainda as lembranças não eram lembranças. Foi na juventude. Cruzaram-se. Ah! que anos loucos. Depois ele desapareceu, seguiu o seu rumo e ela seguiu o dela. Tantas coisas aconteceram entretanto. E agora estavam ali os dois, velhos, sem nada mais poderem fazer a não ser recordar... Isto não passou de imaginação da velhinha. Ele não passou, nada lhe perguntou...