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INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

QUE MUDANÇA É ESTA?

Sempre fui pessoa de estar no meio dos outros. Adorava companhia. Adorava ver e ser vista. Sentia que quando entrava numa sala, as atenções de imediato se viravam para mim. Era como se eu levasse comigo uma gigante bolha de energia positiva.  O ambiente, segundo me diziam, passava a ser melhor. A disposição das pessoas, alterava-se no “bom” sentido. Enfim, era um mundo completamente à parte, aquele em que eu me movimentava. O tempo foi passando e as circunstâncias da vida, foram-me afastando desse “turbilhão” e não posso deixar de dizer que eu sofri um pouco com esse afastamento.  Sentia falta das pessoas. Sentia falta do constante toque do telemóvel, sentia falta da agitação em que eu, durante tantos anos, estive envolvida. Quem não aparece esquece! É um ditado muito antigo e bem verdadeiro.  A solidão entra no nosso espaço e com ela vem um silêncio enorme. Nos primeiros dias, até achamos que nos está a fazer bem. Sentimos que é uma espécie de terapia. Mas, os dias vão-s...

SONHO

  O céu estava azul, limpo e só se via uma nuvem, grande, branquinha, tal e qual um bocado de algodão.  E lá no meio do algodão estava ela, sentada, extasiada.  Porque podia olhar cá para baixo e ver que estava tudo calmo, tudo no seu devido lugar. Os países com as suas cidades bem ordenadas, limpas e organizadas. Os jardins bem tratados. Os lagos e os rios límpidos, até se vislumbravam os peixes lá bem no fundo,  alguns e outros vinham à superfície, davam um salto e mergulhavam. Ela estava perturbada com o silêncio que reinava à sua volta. Era demais tanto silêncio. Prestou atenção e afinal havia o suave piar dos pássaros. Prestou mais atenção e viu as pessoas, cada uma delas dedicada aos seus afazeres. Empregos, compras, desporto, passeios nos jardins, idas ao cinema, animais a passear, pessoas a namorar. Tudo organizado, tudo em paz, tudo a correr bem qualquer que fosse o país.  Pessoas felizes nas suas rotinas.  Mesmo os menos abastados viviam tranquilo...