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A mostrar mensagens com a etiqueta sofrimento

INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

SONHO

  O céu estava azul, limpo e só se via uma nuvem, grande, branquinha, tal e qual um bocado de algodão.  E lá no meio do algodão estava ela, sentada, extasiada.  Porque podia olhar cá para baixo e ver que estava tudo calmo, tudo no seu devido lugar. Os países com as suas cidades bem ordenadas, limpas e organizadas. Os jardins bem tratados. Os lagos e os rios límpidos, até se vislumbravam os peixes lá bem no fundo,  alguns e outros vinham à superfície, davam um salto e mergulhavam. Ela estava perturbada com o silêncio que reinava à sua volta. Era demais tanto silêncio. Prestou atenção e afinal havia o suave piar dos pássaros. Prestou mais atenção e viu as pessoas, cada uma delas dedicada aos seus afazeres. Empregos, compras, desporto, passeios nos jardins, idas ao cinema, animais a passear, pessoas a namorar. Tudo organizado, tudo em paz, tudo a correr bem qualquer que fosse o país.  Pessoas felizes nas suas rotinas.  Mesmo os menos abastados viviam tranquilo...

A NORMALIZAÇÃO DA GUERRA

  Estamos a 24 de fevereiro de 2022. Televisões e rádios noticiam que aconteceu exatamente aquilo que duvidava que viesse a ser uma realidade: a Rússia invadiu a Ucrânia. Nos dias que se seguiram, sucederam-se a toda a hora diretos desse país sobre o qual, confesso, não sabia muito. As imagens que fui vendo, deixavam-me com os olhos presos ao écran da televisão, perplexa, horrorizada e muitas vezes imaginando o que faria se visse algum dos meus familiares que tanto amo, num daqueles cenários de destruição e medo. Senti-me solidária com um homem a quem nunca tinha prestado muita atenção, e que se chama Volodymyr Zelensky, e sofri com ele de cada vez que percebi nas suas palavras a tristeza por ver o seu povo massacrado por outros que talvez nem percebam muito bem porque o fazem. Tenho sofrido com os milhões de ucranianos que tiveram de fugir para outros países, levando pela mão filhos pequeninos, sem lhes poderem prometer nada para além da garantia do imenso amor que lhes têm. Sofri...

O SOFRIMENTO DA PERDA

Quem nunca?  Quem nunca (infelizmente) passou por um sofrimento atroz de uma perda? Quando falo em perda, seja de algo demasiado preciso porque suporta um conjunto de memórias, seja por uma pessoa ou por um animal? Perda… Morte… Sofrimento… Sentimento de impotência… Sentimento de perda… Tristeza profunda… Quando perdemos alguém, familiar, amigo, colega de trabalho, dizemos sempre que não sabemos como vamos seguir em frente e viver do mesmo modo depois desta perda. A morte, em termos científicos, é tão somente o desligar do corpo, da matéria, do conjunto de células, órgãos e aparelhos. Mas seremos somente isto? Não. Somos alegrias, tristezas, percursos de vida, trabalhos, personalidades, “alma”… Em cada religião, a morte é encarada de modo diferente. Tendemos a crer que a vida surge após a morte. A vida do que chamamos alma ou espírito. Mas como é que isto acontece? Quantos de nós já ouvimos dizer: “és tal e qual a pessoa X!” Seremos nós os substitutos dos que já morreram? Seremos n...

A INEVITABILIDADE

À hora a que me encontro a escrever este post, o Outono, está a mostrar-se… As folhas invadem o chão, as árvores começam a despedir-se e algumas das folhas, estão já com cor diferente da habitual. Que linda é esta estação do ano. Hoje o dia está muito cinzento. Convida à reflexão, convida a não sair de casa, convida a pensar. Talvez por estarem reunidas estas circunstâncias, veio à minha mente, um determinado momento que para mim foi extremamente doloroso e marcante e que passados quase sete anos, decido partilhar: - Ano de 2012 finda muito difícil. A minha mamã está numa fase terminal. Os meus anos são passados em casa da minha filha e o brinde é feito com uma oração. Rezamos a oração que o Senhor nos ensinou “Pai Nosso, que estais no Céu…”. Cada uma das palavras desta tão bela oração, pareciam estar a “ecoar” como nunca. Foi muito emotivo. Muita dor estava a pairar no ar e, eu não conseguia esconder o que sentia. Afinal a minha mamã estava a despedir-se da vida terrena da ...