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INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

“JOURNALING” E POR AÍ FORA…

 Agora é isto que está a dar. Até há bem pouco tempo era o “Mindfullness”. Actualmente parece que estão a apostar no “Journaling”. Pegar num bloco e numa caneta e escrever o que lhe vier à cabeça, nem que seja começar por dizer: "Não sei o que hei-de escrever". Como quando se faz um diário, sem que seja necessariamente um diário. E não é que é precisamente isto que eu costumo fazer quando escrevo os meus textos? De repente vem qualquer assunto à minha cabeça dizer-me: "Desenvolve, desenvolve." E a minha imaginação começa a levar-me por aí fora. Concordo que ajuda. Portanto espero que mais gente adira a esta sugestão porque possivelmente vão deixar de ser tão nervosos, ansiosos, egoístas, mal-educados e por aí fora. Descarreguem no papel as vossas dúvidas, angústias, medos, ressentimentos e por aí fora. Quisera eu ter um vocabulário vasto e num ápice quiçá eu escreveria um livro. De facto, acho que é libertador escrever e deixar a imaginação ir por aí fora. É assim q...

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E ÉTICA: DESAFIOS E REFLEXÕES PARA O FUTURO

  A inteligência artificial (IA) está a transformar rapidamente várias áreas da nossa vida, desde a forma como trabalhamos até à maneira como nos relacionamos com o mundo à nossa volta. Ferramentas baseadas em IA já são utilizadas no diagnóstico médico, na condução de carros autónomos, na personalização de conteúdos nas redes sociais e até em decisões judiciais. No entanto, com todo o poder que estas tecnologias trazem, surgem também questões éticas importantes que não podem ser ignoradas. Ao integrar a IA no nosso quotidiano, é crucial refletirmos sobre os seus impactos sociais, políticos e humanos. Uma das principais questões éticas associadas à IA é a responsabilidade. Quando uma máquina toma uma decisão, quem é o responsável por ela? Por exemplo, imaginemos um cenário em que um carro autónomo se envolve num acidente ou um algoritmo de IA decide que uma pessoa não merece um crédito bancário. Se a decisão for errada ou injusta, quem deve ser responsabilizado? O programador que ...

MEMÓRIAS E UM NATAL FELIZ

  Ao remexer numa caixa onde guardo fotografias mais antigas, salta-me à vista uma que já não via há muito tempo. Olho-a e sinto um misto de emoções. Quem lá está? Eu, uma adolescente com uns 11 ou 12 anos, os meus pais, a minha irmã Ilda e o marido, o Pedro, o meu irmão André e a mulher, a Leontina, e os meus sobrinhos, filhos da Ilda e do André. De entre eles, as mais velhas praticamente com a mesma idade que eu, e todos os outros mais novinhos. Somos ao todo 7 crianças. Estamos felizes. Percebe-se pelos sorrisos inocentes e francos que deixamos transparecer. É natal! À direita na foto, vê-se a lareira da nossa casa, onde sobressai o presépio, elaborado pelas mãos hábeis e meigas da minha querida mãe. Os adultos, de pé à volta da mesa, brindam, provavelmente à saúde de todos e à alegria de estarmos juntos. Em falta o meu irmão Carlos Alberto, que cedo emigrou para o Canadá. Apesar da distância física, ele e a Encarnação, sua mulher, são sempre referidos, nestas ocasiões, pelo meu...

PERDER UM FILHO

A dor de perder um filho deve ser enorme e avassaladora e não é algo  que vai passando com o tempo, digo isso porque eu tinha três irmãos e o mais velho, o Carlos, morreu novo. Eu sei, e os meus irmãos também, que a minha mãe nunca deixou de pensar e de falar dele. Nós brincávamos com ela e dizíamos que gostava mais dele do que de nós, mas era a dor profunda e saudade que a fazia recordá-lo. O meu pai nunca falava, mas acredito que sentisse à sua maneira. O meu tio João morreu novo, com 19 anos, o meu avô não gostava que ele jogasse futebol e, no dia que o pai o foi ver a jogar, morreu em campo, com uma bolada no peito, isso abalou os meus avós para sempre. O filho dos meus primos. Tenho amigos que sofrem a mesma dor de terem perdido um filho. Nem consigo imaginar essa dor. A morte só dói por aqueles que amamos, mas a dor dos outros só nos toca quando já a vivenciamos e sabemos o que dói, nos outros é medo e não dor o que sentem, medo que lhes possa acontecer o mesmo. A verdade é q...

A IMPORTÂNCIA DA HERANÇA

Muito se fala e discute problemas com as heranças familiares, pois na hora de dividir bens e dinheiro nunca há entendimento entre os herdeiros. Eu tenho uma visão um pouco diferente sobre este assunto, até porque já tive vivências algo complicadas neste campo. O ser humano criou a teoria de “ trabalhar para amealhar”, esquecendo-se na maior parte do tempo de tirar proventos próprios do seu trabalho; há inclusive pessoas para quem despender algum dinheiro com viagens, férias ou até actividades lúdicas seja desperdício e vivem obcecados com o aumento da conta bancária que será mais tarde para discussão e até divisão dos seus herdeiros. É claramente importante ter algum dinheiro para sobretudo proporcionar conforto e bem-estar na vida, mas entro em total desacordo com as pessoas que abdicam dos prazeres que o dinheiro proporciona só para deixarem uma boa herança. Mas então o que é na minha óptica uma boa herança? Cultura, carinho, atenção, presença!! Foi esta a herança que recebi dos meus...

A VIDA DOS NOSSOS ANTEPASSADOS

  Possivelmente fruto da idade e inerentemente das experiências vividas, tenho vindo a observar o papel fundamental que os meus antepassados desempenham na minha vida.  Cada vez percebo melhor a importância deles quer na minha vida pessoal, quer na minha vida profissional, manifestando-se de diferentes formas que mais não fazem do que moldar a minha identidade, os meus valores, as minhas tomadas de decisão e as respetivas consequências.   Os nossos antepassados influenciam diretamente quem somos. A nossa história familiar, as tradições e os ensinamentos passados de geração em geração ajudam a construir nossa identidade.  Conhecer as nossas raízes e não as esconder, dão-nos uma leveza gigante e um capital enorme! Somos assim e pronto!  A maior parte das vezes, as nossas ações e decisões são herdadas dos nossos antepassados. Eles, a mim, têm-me servido de inspiração. Sinto que superei inúmeros obstáculos graças à resiliência e espírito de sacrifício que deles...

FÉRIAS

  O que já é hábito, não causa estranheza e como tal, a sequela dos relatos das férias continua. Nesta partilha irei falar das férias propriamente ditas. Como já referi, o hotel é tipicamente de praia e de piscina. Sem luxos e sem tapeçarias. Aberto. Arejado (apesar do calor). Bem estruturado com um corredor de ligação entre recepção, piscina, praia e restaurante. Simples mas bem à moda de um país quente. Estamos pertinho da linha do equador e portanto, apenas usei chinelos, roupa de banho e uns simples calções e blusa. Muito mais do que suficiente. A comida foi fantástica. Experimentei quase tudo. Fruta e legumes deliciosos e os quais se apresentavam com um sabor divinal que há muitos anos não sentia. O único álcool ingerido foi num cocktail servido numa festa temática mas nem vi o fundo do copo. Água quase sempre e muita! Tenho que fazer realmente referência e parabenizar a equipa de animação nunca desfazendo os restantes que ali trabalham. Incansáveis. Prestáveis e atentos. Nas ...

SAÚDE MENTAL

  É um problema meu! É um problema nosso! É um problema da sociedade! Assusta-me o ritmo alucinante das notícias dos suicídios, das tentativas de colocar termo à vida, ao nosso lado, na televisão, nos famosos, em crianças, jovens ou adultos. O que se está a passar? Serão as depressões desvalorizadas? É fácil diferenciar com clareza um problema mental de um comportamento normal? A tristeza é normal no nosso dia a dia, a ansiedade, o stress, desânimo, alterações de humor… Tantos são os sintomas que se podem confundir e não perceber a sua gravidade. Quando acontece um suicídio ou tentativa, amigos e familiares perguntam-se como não se aperceberam que havia algo errado e culpam-se porque não puderam impedir tal ato. Escreve-vos, não um especialista de saúde mental, mas alguém que já teve de recorrer a profissionais de saúde para poder sair de um esgotamento mental/depressão. Percebi que precisava respeitar os limites do meu corpo quando deixei de dormir dias a fio. O relógio biológico ...

NEURÓNIOS PARA QUE VOS QUERO

Já há algum tempo que as questões do Envelhecimento ressoam na minha mente quer porque fui “filha” da minha avó que me criou desde os 4 anos, quer porque vou observando os diferentes envelheceres dos meus familiares ou ainda, e com muito atenção, porque eu própria me vou aproximando da meta do meio-século ... ou então, e esta é aquela razão mais politicamente correcta, por defeito profissional que me leva a olhar para o desenvolvimento e para a senescência com o mesmo olhar, ora crítico, ora analítico, ora terapêutico. Então, comecemos pelas definições, que nos dizem que, o envelhecimento é um processo adaptativo, lento e contínuo que traz consigo uma vasta sequência de alterações marcadas por factores biológicos, psicológicos e sociais que decorre ao longo de toda a vida e que transformam o comportamento e qualidade de vida do idoso. Relacionado com o envelhecimento está o declínio cognitivo, isto é, as alterações cognitivas podem causar incapacidades e limitações diversas, tais como,...