Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Natal

INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

MEMÓRIAS E UM NATAL FELIZ

  Ao remexer numa caixa onde guardo fotografias mais antigas, salta-me à vista uma que já não via há muito tempo. Olho-a e sinto um misto de emoções. Quem lá está? Eu, uma adolescente com uns 11 ou 12 anos, os meus pais, a minha irmã Ilda e o marido, o Pedro, o meu irmão André e a mulher, a Leontina, e os meus sobrinhos, filhos da Ilda e do André. De entre eles, as mais velhas praticamente com a mesma idade que eu, e todos os outros mais novinhos. Somos ao todo 7 crianças. Estamos felizes. Percebe-se pelos sorrisos inocentes e francos que deixamos transparecer. É natal! À direita na foto, vê-se a lareira da nossa casa, onde sobressai o presépio, elaborado pelas mãos hábeis e meigas da minha querida mãe. Os adultos, de pé à volta da mesa, brindam, provavelmente à saúde de todos e à alegria de estarmos juntos. Em falta o meu irmão Carlos Alberto, que cedo emigrou para o Canadá. Apesar da distância física, ele e a Encarnação, sua mulher, são sempre referidos, nestas ocasiões, pelo meu...

O LONGO MÊS DE JANEIRO

  Estamos sensivelmente a meio do mês de Janeiro do ano de 2024. Desde muito pequena que me lembro de ouvir dizer que este era o mês mais longo do ano.  Achava muito estranho e perguntava porquê? A resposta era quase sempre a mesma, vinda inclusive, de pessoas diferentes: “Este mês de Janeiro parece que nunca mais acaba pois em Dezembro houve despesas imensas. Foi o Natal, foram os presentes, foram os aniversários. Enfim,  um gigante número de gastos”. Mas afinal porque procedemos assim,  se sabemos de antemão qual o resultado de alguns dos nossos excessos? Temos necessidade de demonstrar o nosso afeto ou outro sentimento qualquer, embrulhado em papel bonito, metalizado e com um, lindo laçarote?  Eu sou das pessoas que vai fazendo as suas compras de Natal ao longo do ano, exatamente para evitar um Janeiro tão longo e para evitar igualmente a azáfama enorme que se vive, nessa época,  nos centro comerciais e as longos filas para pagar. Vou comprando, vou etiq...

ESPÍRITO DE NATAL

Chega dezembro, e nada me motiva para o espírito natalício que sinto acontecer à minha volta. São as montras repletas de decorações, as luzes das iluminações das ruas, e a feira de natal que se enche de gente. Nada disto me anima e quase me irrita. Mas é natal, dizem-me, como se isso bastasse para me alegrar.  Chego assim ao dia 16 de dezembro, em que decido que tenho mesmo de fazer algumas compras obrigatórias. Saio cedo, pois não me apetece andar em lojas repletas de gente, com sacos cheios, a esbarrar em tudo e todos, e a desejar bom natal quer nos conheçam quer não. Já na rua, apercebo-me de um desfile de crianças que, vindas de escolas e colégios do concelho, enche por completo a nossa Rua da Sé. Vejo os olhinhos dos pequeninos a brilharem nos seus fatinhos de pai natal, e até vejo o Tomé, meu sobrinho bisneto, vestido de S. José, a abrir o grupo do seu colégio. Lindo o “meu” Tomé. Chamo-o, digo-lhe que está lindo, presenteia-me com um lindo sorriso, e segue muito compenetrado...

LUZES BRANQUINHAS E O NATAL

O Natal sempre foi para mim uma festa mágica, feliz e alegre. Sim, mas isso foi há muito, muito tempo. Nesse tempo, era eu uma criança e depois uma adolescente e até como jovem adulta, eu vivia esta quadra com muito interesse, tanto nas decorações como nas prendas que comprava sem dificuldade em escolher o mais adequado para cada pessoa que iria receber o meu miminho.  Depois, e o depois para mim foi o ponto final nesse entusiasmo, perdi o interesse em tudo.  Porquê? Porque perdi os meus entes queridos. Perdi os meus pais. Eu sou filha única e a partir daí senti que não devia festejar porque eles não estavam cá para me acompanhar na alegria do Natal. Tenho boas recordações da quadra natalícia passada em casa de meus pais. Era tudo perfeito. E fui perdendo mais familiares e amigos e parece me ingrato eu festejar sem todos eles. Depois vieram os netos e eu pensava que isso me iria ajudar. Mas não. Sinto a mesma nostalgia sobretudo pela ausência de meus pais. Eu sei que a vida é ...

O PODER DO MOMENTO

  Começa a loucura. Começa o marketing em força no sentido das compras de Natal e afins. A azáfama instala-se e parece que nada de grave se passa no mundo.  As pessoas esquecem-se da guerra, das vítimas delas, do sofrimento, da fome, da doença, da inflação, das dificuldades e viram-se para as “luzes” das montras, para os slogans onde a palavra desconto tem destaque e a correria desenfreada toma lugar. Tenho-me interrogado muito a este propósito. O que nos faz mudar tão repentina e drasticamente? Será o calendário? Será a tradição? O que será realmente? Falo comigo. Questiono-me e não encontro resposta nenhuma para esta pergunta. Da cooperação, passamos à indiferença. Das queixas constantes relativamente aos aumentos de preços, passamos a uma fase de compra por impulso e tudo parece encaixar na perfeição relativamente aos nossos desejos e às nossas concretizações. Tenho muito receio dos próximos meses. Tenho receio das loucuras que as pessoas cometem para satisfazerem os capric...

O MEU NATAL

Não resisto a escrever sobre o natal, porque a cada dia que passa me apercebo do quanto era diferente o meu natal, num tempo em que tudo para mim era magia e felicidade, num tempo em que me bastava olhar o meu pai e a minha mãe para me sentir a pessoa (criança) mais rica e mais feliz do mundo. Éramos uma família simples, de uma freguesia rural, daquelas em que a mãe cuidava das lides domésticas, e o pai, nestes dias, regressava a casa tarde, pois aproveitava para vender um pouco mais e, por isso, fechava a “mercearia” de que era proprietário, na cidade, bastante mais tarde do que o habitual.   Na noite de natal, o pai trazia nozes, figos e deliciosos chocolates Regina, em forma de coração e de guarda-chuva. De os lembrar, quase salivo. Não havia televisão, e música só a que o Rádio Club de Angra emitia, à qual acho que ninguém prestava grande atenção. Não havia presentes embrulhados pelas mãos das meninas das lojas, de forma impessoal. Não havia muitas iguarias a encher a mesa...