Avançar para o conteúdo principal

INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

(CON)VIVER COM A DOENÇA


Viver e conviver com uma doença é mau, mas quando esta doença é autoimune, crónica, para toda a vida… é uma convivência difícil de aceitar.

Era eu adolescente quando as primeiras dores surgiram. Foram vários os médicos consultados, várias especialidades, muitas infiltrações de cortisona… e ao fim de cinco anos foi-me diagnosticado Espondilite Anquilosante, uma inflamação articular progressiva que provoca dores e rigidez nas articulações e os movimentos ficam limitados. Agudiza-se com o repouso e atenua com a atividade física (que convém ser de baixo impacto).

Nem sempre os médicos perceberam as minhas dores. São dores difíceis de definir, que no mesmo dia podiam atingir a região lombar, ou os ombros, ou o peito…. Chegaram a sugerir que podia ser uma doença do foro psicológico.

Mas não! A verdade é que o marcador genético HLA-B27 apresentava valores positivos e aliado a outros exames chegaram, finalmente, ao diagnóstico. Mais valia um mau diagnóstico do que não saber o que se passava comigo.

E a seguir, quais as opções de tratamento? Como me podia livrar destas dores? Sabia que a imobilização de parte da coluna e a curvatura que já tinha não seria fácil de resolver, no entanto, o importante era ter qualidade de vida, sem as dores incapacitantes.

Foram meses de tentativas com os vários anti-inflamatórios existentes, para que fizessem efeito. Ao fim de dois meses o organismo habituava-se e deixavam de fazer efeito… ficando vários anos a tomar dois “Voltaren’s 75 mg” por dia. Fazia análises periodicamente para controlar os efeitos secundários da medicação e, ao mesmo tempo, fazia alguns exercícios posturais, ajudando a manter a mobilidade e a flexibilidade da coluna sem esforço para o corpo.

Outras complicações foram surgindo, sendo associadas, muitas vezes, à espondilite anquilosante, como a psoríase e doença inflamatória do intestino.

Certo dia, um fisioterapeuta aconselhou-me a eliminar o glúten da minha alimentação de forma a melhorar a inflamação das articulações. Comentei com a minha Reumatologista, mas não validou essa informação por não haver estudos científicos suficientes. A verdade é que melhorei muito desde que eliminei o glúten da minha alimentação. Entretanto, após fazer alguns exames complementares foi-me diagnosticada doença celíaca. 

Os anti-inflamatórios que tomava todos os dias, passaram a ser usados apenas em SOS, muito esporadicamente. 

Depois de viver uma adolescência e juventude “zangada” com a vida que me colocou à prova com esta doença, fiz as pazes com ela e luto todos os dias para ter a qualidade de vida possível e poder viver e conviver com esta doença que, afinal, tem de ser a minha melhor amiga, pois é para toda a vida.

T.C.

Comentários

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

A MINHA VIAGEM AO JAPÃO

Verdade, fui ao Japão. Verdade, aventurei-me a, depois de 2h30 de viagem para Lisboa, meter-me num outro avião para, durante 7h30, fazer Lisboa-Dubai, e ainda noutro para mais 9h30 até Tóquio. Ainda hoje me pergunto como me aventurei a tal, eu que me arrepio sempre que se fala em viagens de avião. Mas fi-lo e ainda bem!   O Japão nunca foi um país que me despertasse grande interesse, logo uma viagem que, não fosse a minha amiga Manuela, provavelmente não teria feito. Por diversas vezes já lhe agradeci e vou sempre agradecer-lhe ter-me ligado, naquele dia, a dizer-me “… vamos?” Mas, se nada é por acaso, é porque agora é que era a altura certa para a fazer, pois a idade já me permitiu uma plenitude que antes não alcançava. Já regressei há vários dias e ainda não “aterrei” no meu quotidiano. Continuo, a cada minuto, a visualizar imagens, paisagens, gestos e atitudes que me levam ao que, agora, considero um outro mundo. Um outro mundo em que é notório o respeito pelo outro, nomead...

A ARTE, A BELEZA E A GRATIDÃO

  Sou frequentadora assídua da Confeitaria Paulista na Maia, onde a D. Elvira e o Sr. Jorge Mendes (proprietários), fazem questão de nos receber de “braços abertos.” Tomo o meu café e pão com manteiga neste maravilhoso espaço. É um local muito familiar. Um espaço onde nos sentimos muito bem!!!  Somos bem recebidos; Bem tratados; Bem-vindos!!! Sentimo-nos em casa. A D. Elvira faz questão de nos fazer sentir únicos. Há uns dias, tive oportunidade de ver uma autêntica obra de arte saída das mãos do proprietário da Confeitaria Paulista. Trata-se da peça cuja fotografia está a ilustrar esta publicação. Ao ter acesso ao dito quadro, acreditem, que senti ARTE, que senti BELEZA e depois de saber a história que o envolve, senti que ali, existia GRATIDÃO.  Ora o Sr. Jorge Mendes, decidiu pôr mãos à obra e fazer este maravilhoso trabalho em pão. Sim, trata-se de pão e não outro material qualquer. Explicou-me as múltiplas e morosas voltas que este trabalho dá, até chegar ao resultado...

A LOUCURA DO MUNDO

  Tinha decidido que hoje escreveria de novo sobre a minha viagem ao Japão, e que vos contaria algumas peripécias dignas de registo humorístico, daquelas que sempre me acontecem e me divertem ao ponto de querer partilhar com outros, e porque me faz feliz. Faz-me feliz fazer aparecer um sorriso no rosto de quem lê os meus textos, um sorriso que muitas vezes anda escondido e tarda em aparecer. No entanto, nem sempre isso é possível, e hoje não pode ser assim. Hoje tenho de partilhar convosco a minha tristeza, a minha revolta, a minha frustração. Desculpem-me mas terá de ser assim. Logo pela manhã, como habitualmente, abri o rádio para me atualizar acerca do que se passa no nosso país e para além dele, e o que fui ouvindo fez-me decidir que não concluiria o meu texto nos termos em que tinha pensado. Não tinha esse direito perante o que estava a ouvir. Se o fizesse era como se também estivesse a assobiar para o lado perante o horror que me descreviam. Apesar de ser uma peça insignifica...