Avançar para o conteúdo principal

INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

OS CICLOS, OS RITUAIS E AS ROTINAS FAZEM PARTE DE UMA VIDA SAUDÁVEL

 

Esta época do ano traz-me sempre à memória cheiros e cores, muitos da minha infância, mas também de toda a vida. O cheiro da marmelada acabada de fazer, o das primeiras chuvadas, a terra molhada, o das uvas vindimadas ou das castanhas nos assadores espalhados pela cidade… ou a recordação do cheirinho de Violetas que mulheres com cestas cheias de raminhos vendiam perto do mercado do bolhão.

A sensação gostosa do ar fresco pelas manhãs a bater na cara e que nos desperta os sentidos. Que bonito ver o rodopiar das folhas que as árvores despiram e com as quais o vento adora brincar.

 A natureza que se transforma numa tela pintada de amarelo, laranja e vários tons de vermelho. 

Os dias, na sua luz diurna, vão diminuindo, convidando a recolher a casa mais cedo.

A meio do outono surge para muitos o primeiro e talvez o maior encontro familiar do ano, o dia dos fiéis defuntos, usado por muitos que se deslocam ao longo do país para visitarem os seus entes queridos desaparecidos. É muitas vezes nesta ocasião que se encontram os familiares mais afastados que raramente se encontram ao longo do ano. 

Muitos portugueses movem-se ao longo do país para se deslocarem aos cemitérios nesta reunião familiar ímpar, porque é à volta dos seus mortos, pelos entes que já partiram, mas que são os elos de união entre todos. Para alguns, o único elo que os une.

Fernanda Drummond


Comentários

Mensagens populares deste blogue

A ARTE, A BELEZA E A GRATIDÃO

  Sou frequentadora assídua da Confeitaria Paulista na Maia, onde a D. Elvira e o Sr. Jorge Mendes (proprietários), fazem questão de nos receber de “braços abertos.” Tomo o meu café e pão com manteiga neste maravilhoso espaço. É um local muito familiar. Um espaço onde nos sentimos muito bem!!!  Somos bem recebidos; Bem tratados; Bem-vindos!!! Sentimo-nos em casa. A D. Elvira faz questão de nos fazer sentir únicos. Há uns dias, tive oportunidade de ver uma autêntica obra de arte saída das mãos do proprietário da Confeitaria Paulista. Trata-se da peça cuja fotografia está a ilustrar esta publicação. Ao ter acesso ao dito quadro, acreditem, que senti ARTE, que senti BELEZA e depois de saber a história que o envolve, senti que ali, existia GRATIDÃO.  Ora o Sr. Jorge Mendes, decidiu pôr mãos à obra e fazer este maravilhoso trabalho em pão. Sim, trata-se de pão e não outro material qualquer. Explicou-me as múltiplas e morosas voltas que este trabalho dá, até chegar ao resultado...

A LOUCURA DO MUNDO

  Tinha decidido que hoje escreveria de novo sobre a minha viagem ao Japão, e que vos contaria algumas peripécias dignas de registo humorístico, daquelas que sempre me acontecem e me divertem ao ponto de querer partilhar com outros, e porque me faz feliz. Faz-me feliz fazer aparecer um sorriso no rosto de quem lê os meus textos, um sorriso que muitas vezes anda escondido e tarda em aparecer. No entanto, nem sempre isso é possível, e hoje não pode ser assim. Hoje tenho de partilhar convosco a minha tristeza, a minha revolta, a minha frustração. Desculpem-me mas terá de ser assim. Logo pela manhã, como habitualmente, abri o rádio para me atualizar acerca do que se passa no nosso país e para além dele, e o que fui ouvindo fez-me decidir que não concluiria o meu texto nos termos em que tinha pensado. Não tinha esse direito perante o que estava a ouvir. Se o fizesse era como se também estivesse a assobiar para o lado perante o horror que me descreviam. Apesar de ser uma peça insignifica...

OLHAR DE FORA PARA DENTRO

Caro leitor,  Pode efetivamente soar estranho quando se diz olha de fora para dentro, mas é exatamente por isso que vou abordar esta visão.  Todos nós olhamos o mundo de dentro para fora com os nossos valores e crenças e preconceitos.  Vim de férias para um sítio onde já fui muito feliz tanto na infância como na minha adolescência. Nada está como era. Nada. Nem as pessoas nem os hábitos nem os sítios.  E obrigou-me a olhar de fora para dentro. E eu como estou? Como mudei? Que dores trago? Que felicidades ganhei ao longo dos anos? Quais as coisas realmente importantes com as quais me devo preocupar?  Ter a capacidade de fazer e melhorar este processo permite que consigamos olhar melhor. Perceber melhor. Sentir melhor.  E por aí? Vamos olhar de fora para dentro e tentar colocarmo-nos no lugar do outro?  Mjsoares