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Mensagens

INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

IDAS E VOLTAS

O tema que hoje apresento não é novo.  Está a terminar mais uma “época alta”, tempo de calor e férias, festas e festivais, idas e vindas. As movimentações são muitas e as motivações também, uns movimentam-se pelas saudades e regressam a casa e à família, outros motivados pelo lazer e vontade de abrir horizontes vão em busca de conhecimento e descoberta de lugares novos e diferentes. Uns movimentam-se à procura da diversão de verão seja nas festas e romarias ou nos grandes festivais. Outros, os residentes, agradecem estas movimentações e motivações pois, em poucos meses tentam equilibrar finanças para o resto do ano. Misturam-se línguas e culturas, há reencontros familiares e de amizades antigas e fazem-se novas amizades, há partilha de saberes e de sabores, há a nostalgia que fica a marinar por mais um ano. É uma época de contrastes, a alegria das chegadas e a euforia dos aglomerados de pessoas com a tristeza e desânimo dos que têm de voltar e dos que ficam novamente à espera. Àque...

Se o meu sangue não me engana, havemos de ir a Viana

  “Se o meu sangue não me engana, havemos de ir a Viana.”  Pedro Homem de Mello sabia muito bem o que escrevia. Havemos de ir… e havemos sempre de voltar! Foto:  https://festasdagonia.com/ Ainda não tinha assistido ao desfile da mordomia. Não foi inteiramente surpresa que, como em todos os momentos da romaria da senhora da Agonia, este também não se assista simplesmente, vive-se ❣ Quem vê, faz parte do todo. Canta, sorri, chama, elogia, aplaude centenas de mordomas e 90 e tal milhões em ouro, dizia um senhor que nos contou detalhes deliciosos do desfile. Penso que esses são também os números dos jornais. Mas faltam os mais importantes: os números dos sorrisos constantes, multiplicados por todos os que contagiaram à sua passagem.  O ouro não é de longe o que mais cativa neste desfile. Num mundo onde ainda tantas mulheres são privadas de rosto e de direitos, é maravilhoso ver estas, lindas, orgulhosas, sorridentes e, principalmente, de cabeça erguida! Olhos nos olhos ...

O PESO DAS PALAVRAS

  Há dias tive a oportunidade de ter uma conversa, que tardava em acontecer. Não sei precisar exactamente em que data gostaria de a ter tido, mas sei que é, seguramente, há mais de trinta anos. Sem saber explicar como, a oportunidade surgiu e senti como que uma alavanca a fazer com que as palavras iniciais começassem a sair da minha boca e daí para a frente, tudo fluiu. Foi um momento muito comovente e duma importância enorme! Não chorei, mas faltou muito pouco para que isso acontecesse. O meu interlocutor desfez-se em lágrimas e, provavelmente, ao ver a minha expressão facial, tranquilizou-me dizendo que ele era uma pessoa de choro fácil e daí, aquelas lágrimas que corriam pela sua face, sem parar. As palavras saiam com uma cadência e uma segurança que eu nunca imaginei. Durante estes anos todos, não me preparei para esta conversa, apesar de a desejar fortemente. Como sou católica, fui pedindo a Deus que quando chegasse o momento, o Espírito Santo me iluminasse, para que este assu...

O SENHOR DE BRANCO

  Não fui capaz de deixar de escrever estas linhas sobre “o Senhor de Branco”, como alguns dos mais pequeninos chamam ao Papa Francisco. Estou embevecida e especialmente muito grata por tê-lo cá, em Portugal.  Escuto cada uma das suas palavras com uma “sede” enorme de saber. As suas mensagens são cirúrgicas e duma gigante intensidade. Reparo e tento descodificar cada um dos seus gestos e das suas atitudes. A sua enorme debilidade, fragilidade e sacrifício tão patentes em cada uma das suas deslocações, estão traduzidas em força, coragem e resiliência. É um exemplo!!! É impossível ficar indiferente. Encontro-me a centenas de Kms de distância da cidade de Lisboa e, mesmo assim, a emoção, a cor, o pulsar da vida, chegam até mim, num ápice. Estou segura de que todos os que estão a participar na JMJ – Jornada Mundial da Juventude, jamais ficarão iguais depois desta experiência, independentemente do seu credo. Obrigada, Papa Francisco, pelos desafios lançados. O maior desafio está já...

AVÓS

  No passado dia 26 de Julho, celebrou-se o dia mundial dos Avós. Não vou estar aqui a elencar as imensas definições de avós. Vou dedicar algumas palavras a todos os avós que não tiveram por parte dos seus netos nenhuma visita, nenhuma mensagem, nenhum telefonema, enfim, nada. Imagino o que terão sentido. Quantas vezes não olharam para o telefone?  Quantas vezes não foram espreitar à janela? Quantas vezes não foram certificar-se se havia ou não uma mensagem? Sinceramente, nunca liguei muito a este tipo de celebrações mas, com o avançar da idade, tornei-me num homem mais lamechas, mais sensível, mais de lágrima fácil, se é que me entendem. Por isso mesmo, aqui estou a dizer aos avós em causa que não se magoem. Que encarem esta falta de “lembrança” ou de sensibilidade por parte dos netos, como algo “natural”. Não lhes contem o que sentiram, nem lhes cobrem a atitude, ou a falta dela. Continuem a inundá-los de amor. Mais tarde eles irão perceber o que se sente. Para falar verdade...

FÉRIAS

Verão. Julho. Calor. Férias do trabalho. Todas as condições reunidas para uns dias fantásticos estará o leitor a pensar.  Esta época tão feliz para alguns e que nos traz descanso, sossego, passeios, pele bronzeada e lanches tardios, traz para outros um stress inigualável.  Falo do stress da preparação da ida de férias. Se fores sozinho, tudo bem – exceto havendo horários a cumprir quando se trata de voos, excursões e visitas programadas – vais articulando os teus horários conforme os teus apetites.  Se sais às 9 ou às 10 é indiferente. Se levas 2 malas ou apenas o mínimo dos mínimos é indiferente. A coisa complica quando há tamanhos e pesos de malas e se vais em família incluindo crianças que exigem sempre uma atenção mais do que redobrada de vestuário, de alimentação, de rotinas de sono,… quem tem crianças sabe.  Ora, fui de férias ontem e voltei hoje. Fui para o sítio de sempre porque em equipa que vence não se mexe. Só que este ano, tudo foi diferente: fui em famí...

PENSAMENTOS QUE ASSALTAM

A idade vai passando e quando entramos no outono ou no inverno da nossa vida, a reflexão passa a ser nossa companheira diária. Falamos menos e observamos muito mais. Quem dera que tivesse sido assim durante a minha vida toda. Todos os dias sou “assaltada” por memórias da minha verdadeira natureza. Questiono-me frequentemente sobre esse facto. Não sei bem como interpretá-lo. Não me incomoda, mas surpreende-me. Por outro lado, dou comigo a pensar na sociedade atual. A sociedade que instiga à esperteza, em vez de promover a sabedoria. A sociedade que enaltece tudo o que é fútil e descartável. A sociedade que venera o luxo!  A generalidade das pessoas acha-se “sofisticada”. Promove-se a mentalidade de consumo, apesar dos tempos conturbados que nos cercam com as constantes subidas das taxas de juro, com a guerra que teima em permanecer e com as pessoas que parecem que se habituaram já a estes fatores, pelo que vivem a sua vida como se nada se passasse. Ouve-se frequentemente que a atitu...