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INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

CHECK-UP DA ALMA

 

Nunca me tinham falado em tal. Nunca tinha pensado que um dia me pediriam como tarefa de determinada formação, que fizesse o meu “check-up da alma”.

Todos os anos (ou quase todos) faço o meu check-up a este corpinho que já vai tendo algumas mazelas, mas que, no seu geral, só tem de dar graças por nunca ter sofrido mais do que o que é possível curar com meia dúzia de “pílulas”, que se tiverem cores diferentes até são divertidas de tomar, ou então ter acumulado mais uma ou outra “estação meteorológica” que, aqui na minha ilha, passam o tempo todo a dar sinal de que o tempo está para mudar e se tornam verdadeiramente incómodas. Agora, fazer um “check-up da alma”, é que me apanhou completamente desprevenida e de início sem saber exatamente por onde começar.

Já passaram vários dias desde que me incumbiram tal “tpc”, e quanto mais penso nele mais percebo o quanto é difícil de concretizar. E não é porque já não saiba como o fazer ou por onde começar, mas porque não estou a querer ver o que lá está. Não estou a querer abrir a caixa de pandora que é a minha alma. Claro que vou ter de o fazer e para isso vou ter de a abrir, mas sei que quando isso acontecer vão saltar tantas e tantas “estampas”, a maior parte já meio adormecidas que, aí sim, ficarei mesmo sem saber porque ponta começar e o quanto será complicado o processo de cura de algumas. Afinal são 66 anos de uma alma que não terá sido cuidada tanto quanto devia e merecia.

Pergunto-me, será que alguém faz frequentemente o seu “check-up da alma”? Fazem-no com facilidade, ou da mesma forma que eu, sentiram até medo, como se fossem encontrar aquela doença incurável, mas adormecida até que lhe tocam?

Por enquanto a minha tarefa continua pendente. Que me perdoe a minha orientadora, mas vai ter de aguardar mais algum tempo. Ela sabe exatamente a profundidade do que me pediu e sabe também o quanto é importante que o faça. Mas também sabe, melhor do que ninguém, que para isso é preciso coragem e eu, que me adjetivo de corajosa, afinal não o sou tanto quanto gosto de me fazer crer. 

Até um dia destes.

Ana Toste

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