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INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

DESGRAÇA ALHEIA

 


Dou por mim a olhar para os pés dos homens com quem hoje me cruzo por aqui.

E porquê? perguntarão vocês.

Porque estava eu ainda em casa a preparar-me para sair para o meu ritual de todas as manhãs, ler o jornal e tomar um café, quando começo a ouvir muitas vozes masculinas alteradas.

Curiosa, fui à janela.

Era um grupo de homens jovens a bater num homem que estava no chão mesmo junto a garagem do quartel dos bombeiros mesmo aqui em frente.

Batiam e gritavam a acusá-lo de ter tentado assaltar (ou mesmo ter assaltado, não consegui perceber) uma senhora mais abaixo nessa mesma rua.

Pelos vistos, eles estavam a observa-lo e quando ele fugiu vieram atrás dele e...justiça pelas próprias mãos!

Era só gente a aparecer, carros a abrandar e uma senhora de braços no ar a correr em direção a central dos bombeiros para pedir ajuda.

Liguei para o quartel a pedir para vir alguém depressa. A telefonista respondeu que já estavam a vir para o local. Realmente vieram dois ou três bombeiros, devagar, de mãos nos bolsos, parando a uma certa distância a observar...

Entretanto tudo se acalmou e o homem foi embora.

E porquê a referência aos sapatos?

Porque durante a pancadaria um dos atacantes tirou-lhe as sapatilhas e disse: agora vais embora descalço...

Vieram-me as lágrimas aos olhos. Acho que não foi por ele ter sido agredido mas sim porque pensei que ninguém sabe muitas vezes o que está por detrás de certas atitudes. Roubará só por "desporto" ou haverá, quiçá, em casa alguém com fome...?

ES

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