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INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

A COLCHA DE CROCHÉ

Li muito atentamente, como é meu hábito, o texto do passado domingo aqui do uploading4ever e decidi de imediato, ir, literalmente, abrir o meu baú. Não se trata de baú, em termos figurados mas sim, de baú – arca.

Fui tirando, muito cuidadosamente,  peça a peça que lá tinha guardada.

Não sei exatamente o que me levou até lá, mas sei que senti um prazer gigante no toque que lentamente ia fazendo em cada uma das peças.

Que recordações incríveis. Que bem me senti! Que saudades boas, sem explicação plausível!

De repente, a colcha de croché que fizeste para mim mamã. Dizias que era para o meu enxoval.

Retirei-a com imenso cuidado. Manuseei-a como se estivesse a tocar e a acariciar as tuas mãos. Fui assaltada pela tua imagem, sentada a fazer croché, a dar azos à tua liberdade criativa.

Aquele cheiro a linha de crochet, aqueles quadrados a formarem desenhos maravilhosos que na altura, não valorizei e de que hoje me arrependo severamente por isso.

Tanto sacrifício na compra daquela linha, tantas idas á retrosaria para ficares a saber que aquela linha estava esgotada e não se sabia quando voltaria a estar à venda. A desilusão estampada no teu rosto, por não teres tido oportunidade financeira para adquirir, duma vez a linha necessária para aquela colcha.

Mandei limpar a colcha a seco e coloquei-a na minha cama. Que linda que está! Consigo sentir amor incondicional, em múltiplas dimensões, ao contemplar aquele teu tão maravilhoso trabalho.

Consigo ampliar a tua existência. Consigo valorizar agora, todo o teu esforço na criação desta colcha.

Obrigada Mamã!

M.F.


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