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INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

O NOSSO SONO


Este desafio surgiu como partilha de testemunho dentro da Empresa onde trabalho como é já apanágio nosso, para assinalar datas comemorativas. Escolhida a semana em que se comemora em 2021 o Dia Mundial do Sono foi só aguardar que as questões me fossem enviadas e realizar a partilha que há tanto tempo gostaria de fazer por achar que um enorme número de pessoas sofre deste problema sem muitas vezes falar dele ou procurar ajuda.

Espero que gostem e, sobretudo que possa ajudar todos aqueles que sofrem ou pensam sofrer deste problema a refletir sobre a importância de dormir bem e os problemas que as insónias podem trazer para o nosso quotidiano.    


Quais foram os sintomas que te levaram a pensar que podias estar a sofrer de insónias?

Sonho muito e lembro-me muitas vezes dos sonhos que tenho. Isto foi um sinal, aliado ao facto de acordar muitas vezes durante a noite. Estes sintomas vieram confirmar que, efectivamente, estava a sofrer de insónias.

 

De que forma tentaste contrariar essa falta de sono?​

Na verdade, antes de procurar ajuda, fui lendo e pesquisando sobre o assunto e tentei aplicar alguma doutrina dessa área e, claro, ouvindo também alguns conselhos que me iam sendo dados.

 

Em que fase assumiste que estavas com um problema de saúde?

Assumi ao fim de aproximadamente 8 anos. Tudo começou com a gravidez da minha filha, a Gabriela, com noites mal dormidas (como todas as grávidas têm...) que se foram agravando e prolongando.

Posteriormente, a menina também teve um pequeno distúrbio do sono, ainda bebé, por volta dos 2 anos.

Inicialmente, comecei por tratar da Gabriela e assumi que a falta de descanso era derivada do facto de ser mãe. Todos sabemos que o sono fica mais leve, por estarmos mais atentos aos nossos filhos. Mas depois veio a falta de energia, de força anímica e de inércia, e isso começou a assustar-me e, sobretudo, a condicionar a minha vida.

 

De que forma as insónias interferiam na tua vida profissional e pessoal?

É quase inevitável que isso não aconteça, principalmente porque o cansaço extremo rouba-nos aquele sorriso, disposição e até a perseverança.

A falta de força anímica também te rouba um pouco a destreza, mas tudo se consegue! Exige é um pouco mais. Diria, muito mais de nós! 

No fundo estamos a contrariar um cansaço que persiste em tomar conta de nós. Quando assumimos que não é isto que queremos, fica mais claro que estamos com algum problema e que temos de o resolver!

 

Recorreste a algum tipo de tratamento natural ou procuraste ajuda clínica de imediato? As mudanças de rituais ajudaram a contornar os sintomas? ​Explica-nos um pouco o processo?

Acho que recorri a quase tudo, à excepção de acupunctura que dizem que pode ter bons resultados.

Inicialmente tentei por mim, com alguma disciplina e hábitos, alguns novos e outros que já tinha, tornando-os apenas melhores através de dicas e coisas que ia lendo.

Posteriormente, com receio de não conseguir controlar (e tendo a real noção que isto me estava a afectar), então sim, recorri à ajuda médica. No entanto, para além de nem todos os medicamentos serem eficazes, alguns tinham efeitos secundários, que me causavam alguma ansiedade ou apenas faziam-me adormecer mais rápido.

Tentei cansar-me com desporto, descontrair a ver um filme e também experimentei  os produtos naturais, como a melatonina em chá ou comprimidos. Actualmente, quando ando mais cansada e a precisar mesmo daquela noite de sono (que deveria, em boa verdade, ser todos os dias) recorro a chás, à leitura ou, em último caso, a um relaxante muscular que, em mim, resulta bem.

Neste campo, cada um de nós pode reagir de diferentes formas, por isso o acompanhamento médico e também estarmos muito atentos aos sinais que o nosso corpo vai emitindo é muito importante.

É também importante partilhar que, finalmente ao fim de mais ou menos 12 anos, fiz o chamado exame do sono no Hospital e a boa notícia é que não existe nenhum distúrbio efectivo de sono, apneia ou outro similar. Sonhar também faz parte deste processo e o resto é disciplina! 

 

Queres partilhar algumas dicas para combater as insónias?

Como referi anteriormente, cada um de nós terá, certamente, reacções diferentes e formas diferentes de o combater, mas existem coisas que, da minha experiência, posso partilhar convosco:

- Uma coisa muito importante e que nos ajuda muitíssimo, mas que nem sempre na vida real é possível, é assumirmos cada papel da nossa vida a 200%, mas por tempo determinado. Só assim conseguimos ser eficazes em todas as tarefas que desempenhamos, e evitamos preocupações acrescidas durante estas diferentes vivências.

- Deitar cedo também ajuda. Já dizia o ditado "deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer" e, é bem verdade!

- Dentro do possível, criar rotinas é muito importante para disciplinarmos o nosso sono, pelo menos no que depende de nós.

- Não estimular muito o cérebro antes de dormir com jogos, televisão, computador ou telemóvel. A luz que emitem não ajuda a que o nosso cérebro receba a mensagem que é hora de desligar.

- Também ajuda, encontrar alguma actividade que possamos fazer com regularidade e que nos descontraia.

 

Como é que te consegues manter produtiva no trabalho e ter uma boa aparência? É difícil acreditar que tens dificuldade em dormir!

A maquilhagem ajuda, não pode ser em excesso senão acentua as marcas de cansaço...  fica a dica! ;-)

Tenho sempre uma grande força de vontade para contrariar este estado, sobretudo querer sempre, ao máximo, que este problema não se reflicta no trabalho e nas restantes áreas da minha vida!

Mas, tenho que vos dizer que, também é importante perceber quando não podemos contrariar e temos mesmo que tentar descansar. Caso contrário, podemos estar a levar esta "máquina" (que somos) à exaustão!​


Irina Cardoso


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