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INTERRUPÇÃO NÃO PROGRAMADA

A CORAJOSA DECISÃO


Há peripécias, umas atrás das outras que me levam a equacionar a saída do Grupo. Noto cada vez mais o egoísmo pessoal e profissional a vir ao de cima por parte do meu CEO. Eu sinto-me cansada, sinto-me “desrespeitada”, se assim posso dizer. Não posso combinar nada com a minha família, pois num piscar de olhos ou num estalar de dedos, tudo muda. É necessário ir aqui ou acolá. É necessária a minha presença nisto ou naquilo. Mais tarde verifico que na realidade não era nada assim, pois a procrastinação mais uma vez teve lugar.

Em finais de Janeiro e depois de muita indiferença profissional, decido pedir uma reunião que apenas me é concedida em finais de Março.

O resultado? Bom o resultado é mais do que previsível. Pedi a demissão e por mais estranho que pareça, senti um enorme alívio, apesar de não ter nenhuma empresa para onde pudesse ir prestar serviços e desta forma ajudar a minha família, em tão complicados momentos (os filhos crescem, as despesas aumentam e Portugal e o mundo vivem momentos muito, muito complicados e difíceis).

Assim sucedeu. Saí mesmo. Não recebi ainda a parte inerente aos chamados “direitos adquiridos”, nem me foi possibilitada a compra do meu carro que em determinado momento, foi comprado pela empresa. 

Fico sem nada. Saio com uma mão à frente e outra atrás, como habitualmente se usa dizer.

O meu amor esperava-me. Saí com a minha carteira na mão e com uma caixa de papel de fotocópias com as pouquíssimas coisas que são minhas e das quais não quero, nem devo separar-me. Tudo resto fica para trás. 

Chego a casa meio anestesiada. Não consigo falar. Quero sentar-me na minha secretária e fazer as minhas contas no que toca a despesas mensais. Não chega!!! 

Há que encontrar trabalho. Há que arregaçar mangas, mas, com cuidado… Há uma imagem a defender mas há um passado pessoal e profissional que vai seguramente ajudar. 

Tenho fé!!! Eu vou conseguir!!!


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